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Ricardo Vasconcellos                        e-mail

  Contrabaixista, compositor e arranjador, Ricardo é Professor da Escola de Música de Brasília.
  Como contrabaixista, Ricardo iniciou seus estudos com o Prof. Sandrino Santoro e graduou-se pela UnB, na classe de Jacques Frazunkievcs, em 1982. Os professores Pino Onnis e Wolfgang Guttler contribuíram sobremaneira  em sua formação como instrumentista. Entre 1996 e 1999 teve a orientação do virtuoso Hans Roelofsen, tendo se apresentado em duo com o mesmo por várias ocasiões.
   Ainda na Universidade de Brasília, foi aluno do compositor e maestro Cláudio Santoro por vários anos (composição e regência) e de Luis Gonzaga Carneiro, com quem estudou harmonia e instrumentação. Participou de vários cursos nas áreas de regência (Gerard Kegelman, Manuel Ivo Cruz e Manuel Prestamo) e harmonia e improvisação (Ian Guest e Nelson Faria).
    Como solista, Ricardo já se apresentou com várias orquestras brasileiras, incluindo a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, Orquestra Sinfônica da Bahia, Orquestra Filarmônica de Goiás, a Orquestra Sinfônica e a Camerata da Escola de Música de Brasília. Com a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional, apresentou a primeira audição brasileira do Concerto em Fá# menor p/Contrabaixo e Orquestra de Giovanni Bottesini. Tem atuado como Chefe de Naipe e/ou Professor Convidado em várias cidades e orquestras brasileiras (Goiânia, Cuiabá, Teresina e Manaus). Apresentou recitais  e realizou masterclasses nas Universidades Federais de Goiás e de Minas Gerais. Foi recitalista convidado nos IV, V e VI Encontros Internacionais de Contrabaixistas, realizados, respectivamente em Belo Horizonte, Goiânia e Pirenópolis.
   Paralelamente, Vasconcellos acumulou uma grande experiência na música popular, tendo acompanhado artistas como Nara Leão, Zé Rodrix, Antonio Adolfo e Marisa Gata Mansa. Foi fundador e membro de dois dos mais importantes grupos de música instrumental de Brasília: na década de 70, o "Trio" e na década de 80, o "Instrumental e Tal".
   Desde 1990, Ricardo Vasconcellos tem sido convidado pelo Cerimonial do Palácio do Itamaraty para organizar, dirigir e apresentar recitais que são oferecidos aos Chefes de Estado Visitantes pelo Presidente da República. Nessas ocasiões tem atuado como instrumentista, arranjador e regente.
  Ricardo tem um grande repertório de arranjos e transcrições, tendo desenvolvido um estilo prórpio de mesclar a música popular e a erudita. Além de várias orquestrações e adaptações para peças do repertório clássico do contrabaixo, escreveu inúmeros arranjos sinfônicos e de câmera, dentre os quais destacam-se: Série "Amazônia Viva" - vinheta sobre "Brasil" de Cazuza, "Um Índio" de Caetano Veloso e "Se eu quiser falar com Deus"de Gilberto Gil - apresentado  no programa internacional de mesmo título (Rede Manchete) por Caetano, Gil e a Orquestra Ópera Brasil, sob a regência de Sílvio Barbato; Série "Clássicos da Música Popular Brasileira", para o Quarteto de Brasília; "Aquele Abraço" de Gilberto Gil, para o CD "Brasilianas" de Rabinovitz/Lopes; Série "Brasília Ano 30" para a Orquestra do Teatro Nacional, em comemoração aos 30 anos da cidade. Muitos outros   títulos foram escritos em parceria com Francisca Aquino destacando-se as séries: "Projeto Volta Redonda", que inclui orquestrações para Orquestra de Cordas e Banda Sinfônica e "Música Popular Brasileira p/Contrabaixo e Piano", apresentada na Convenção de 1999 da International Society of Bassists, além  da série "Legião Urbana", encomendada pela OSTN/GDF para lançamento do Memorial Renato Russo. Atualmente trabalham em uma nova série de arranjos encomendada pelo Quarteto de Brasília.
    Veja na seção "Catálogo" uma lista completa das edições para contrabaixo!
    Em Duo con Francisca Aquino, Ricardo já se apresentou em inúmeras cidades brasileiras e norte-america- nas, executando uma variedade de programas que incluem obras de todos os tipos, gêneros e épocas.   Ricardo Vasconcellos atuou, por seis semanas, como músico convidado da Netherlands Phylarmonic Orchestra em Amsterdã.
    Sua composição "Gosto de Brasil" foi publicada, em setembro de 1999, pela Ludwin Music, editora norte-americana.


Algumas considerações sobre o contrabaixo:

Considero válidas todas as iniciativas e propostas que possam contribuir no sentido do contrabaixista conseguir uma execução musical limpa e bem fraseada.

Afinação: Além dos padrões de afinação denominados "orquestra"(em dó) e "solo"(em ré), ambos em quartas, o contrabaixo pode ser afinado de várias outras maneiras. Pessoalmente, me utilizo tanto da afinação de orquestra quanto de solo. Ultimamente, venho também afinando meu instrumento em mi b, conforme já utilizado pelo mestre Bottesini em várias de suas obras (Concertino em dó menor e Carnaval de Veneza, por exemplo). As notas são Bb, F, C e G, da primeira para a quarta corda. Mais adiante falaremos sobre algumas razões pessoais para o uso dessa afinação. Outros contrabaixistas usam ainda combinações de quartas e terças, ou simplesmente em quintas.

O instrumento: Parece que o contrabaixo é o único dos modernos instrumentos de corda que manteve um grande número de características de seu antecessor, o violone. Até hoje, é enorme a variedade de fundos, laterais, bicos, tamanhos, formas, arcos e maneiras de se tocar o instrumento. Inclusive, esses ingredientes se misturam de maneira combinatória diversa, proporcionando o aparecimento de novos "híbridos". Quantas maneiras de se pegar o arco e quantos tipos diferentes de arco existem para o contrabaixo? Por outro lado, acredito que essa mesma diversidade permite ao contrabaixista, ao assumir as suas próprias escolhas, imprimir uma marca bastante personalizada à sua performance e ao seu som.

A digitação: Uma boa digitação é, com certeza, aquela que melhor lhe permite executar um trecho musical com fluência e fraseado. Muitos contrabaixistas conseguem ótimos resultados utilizando sistemas diferentes, ou até mesmo mudando a afinação para facilitar este ou aquele sistema de digitação. Pessoalmente utilizo tanto o sistema de tres dedos(1,2,4) quanto o sistema de quatro dedos(1,2,3,4), dependendo do tipo de frase e articulação necessárias. A mim me parece que a afinação final das notas não é garantida por nenhum sistema de mapeamento geográfico do braço do instrumento mas sim por um mapeamento auditivo que aprendemos a fazer em algum ponto do cerébro, através do ouvido. Nossos músculos corporais "aprendem" a se posicionar corretamente em cada nota quando o ouvido guia os nossos movimentos.

O arco: O que considero mais importante no arco é a forma como a crina entra em contato com a corda e não qual o tipo de baqueta ou a forma como o contrabaixista vai segurá-lo. Novamente, as variações são enormes e, em geral, o que facilita em um aspecto particular dificulta em outro. De qualquer maneira, é necessário que a escolha permita o uso de toda a extensão da crina, em posição perpendicular às cordas, com o mesmo tipo de contato no talão e na ponta, com peso final(o do arco + o aplicado) suficiente para os fortíssimos e a agilidade e controle necessários para os golpes fora da corda e para os pianíssimos. Acho importante também ressaltar que os movimentos básicos do arco tornam-se arrendondados, ou melhor elípticos, em função da produção do som(movimento horizontal) e da mudança de corda(movimento vertical). Mesmo em uma só corda podemos aplicar o movimento arredondado, o que garante uma aderência contínua da crina com a corda durante as mudanças de sentido do arco(cima-baixo). Tudo isso resulta no tradicional sistema do oito deitado, já tão utilizado e ensinado no que diz respeito aos demais instrumentos de arco. O controle perfeito da velocidade, aplicando-a em maior ou menor quantidade dependendo do efeito que se quer tirar de cada nota, também é responsável pela clareza de fraseado bem como pela expressão correta dos estilos. Acho fundamental que as mudanças de sentido sejam realizadas com velocidade tendendo a zero, principalmente na ponta, para que não haja perda de contato exatamente nesse momento. A potência de som e o ataque na ponta são obtidos a partir de muito contato e não de muita velocidade. Além disso, o excesso de velocidade no momento das mudanças resulta em barrigas e "derrapagens" desagradáveis sonoramente falando.

A mudança de posiçãoNo meu entender as boas mudanças de posição são realizadas escorregando um dedo guia qualquer pela corda e não devem ser encarados como "saltos". O que pude aprender com grandes instrumentistas de arco, não apenas contrabaixistas, é que a nota anterior à uma mudança de posição deve ser bem tocada para que sua ressonância seja o elo de ligação com a nova nota a ser atingida, salvo um ou outro trecho em staccato. A tendência geral é de abandonar a última nota antes de uma mudança de posição, visando "preparar" antecipadamente a nova nota, mas isso contribui negativamente nos resultados sonoros. Paradoxalmente, quanto maior a distância entre duas notas, mais lento será o movimento da mão esquerda.

TranscriçõesMuitos contrabaixistas ao longo da história ocuparam-se em fazer transcrições do repertório de outros instrumentos. Acho uma iniciativa altamente válida uma vez que, devido à escassez de determinados tipos de repertório para o instrumento, estaríamos excluídos do mundo musical dos outros instrumentistas. Muitos contrabaixistas já tocam e gravam transcrições de obras de grande porte e já demonstraram as possibilidades do instrumento como solista. No meu entender devemos considerar que, se quizermos inserir o contrabaixo no mundo musical dos outros instrumentistas e não criar um reduto exclusivo dos contrabaixistas, devemos tentar realizar as transcrições de modo a manter as tonalidades originais nas quais os outros instrumentistas(principalmente os pianistas) estão acostumados a tocar a obra. Para obras nas quais o piano é muito simples não haverá problemas mas se convidarmos um pianista para tocar uma obra como uma sonata de Beethoven, Brahms ou Rachmaninoff e apresentarmos ao mesmo uma parte em tonalidade diferente da original será problemático, principalmente se o pianista já houver estudado a obra anteriormente e não estiver, como um amigo pessoal, lhe fazendo um favor. Essa é uma das razões pelas quais passei a me utilizar da afinação em Mib. A sonata de Rachmaninoff opus 19 para cello e piano, por exemplo, pode ser executada na tonalidade original utilizando-se ao contrabaixo em mi b tonalidades bastante fáceis (Mi menor, Lá menor, Dó menor e maior, Mi maior). A sonata em Fá maior para trompa e piano de Beethoven é bem mais facilmente executável em Ré maior do que em Mib maior e assim por diante.

PosturaMuitos instrumentistas vêm tendo problemas de músculos, tendões, coluna e etc, devido à má postura corporal no momento da performance. Faça um teste: fique em frente ao espelho com o seu instrumento, na sua posição habitual de performance e, em seguida, peça a alguém que tire o instrumento das suas mãos enquanto voce mantem, rigorosamente, a posição em que estava. Olhe-se então no espelho novamente e veja se essa posição é confortável e ergonômica para o corpo. Observe se os ombros estão alinhados horizontalmente e relaxados. Veja se sua coluna está ereta, desde a base até o pescoço. Observe a bacia, no caso de quem toca sentado. Nem sempre quem está sentado está mais confortavelmente instalado do que quem está em pé. Posições em banquinhos altos, sentado com um pé acima e outro abaixo causam entortamento da coluna e da bacia, refletindo mais tarde em todo o corpo e sobrecarregando excessivamente a musculatura das costas e dos braços. Quando tocando sentado, o que faço na maior parte do tempo, busco sempre uma posição com os dois pés igualmente plantados no chão. Grosseiramente falando devemos estar literalmente "pendurados" no instrumento pelas duas mãos, aproveitando o peso natural de ambos os braços e usando a respiração como forma de gerar mais conforto e potência.

Outras dicasAo estudar não se afobe e não tenha pressa de executar as passagens mais difíceis na velocidade final. Repita cada trecho bem devagar, analisando os movimentos de arco necessários, afinando perfeitamente cada nota e deixando claro as nuances rítmicas do trecho. A pressa é inimiga da perfeição porém a calma, a repetição, o bom senso e a perfeição são amigos inseparáveis. Crie intimidade com o seu instrumento, dedicando o maior tempo possível para estar em contato com o mesmo. Para terminar o que considero ser uma modesta contribuição aos contrabaixistas, diria apenas:

Contrabaixo, ame-o ou deixe-o!!!